sábado, 19 de novembro de 2011

LITERATURA BARRENSE GANHA O MUNDO CONFORME ESTATÍSTICAS DE ACESSO NA WEB


EUA LIDERA ACESSO AO BARRAS LITERÁRIA
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NA ESSÊNCIA DA ALMA POÉTICA - GALÁPAGOS: poesia de degredo 
- ROMANCE TERRA DE MARATAOAN
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ARTIGO



ARTIGO: LITERATURA BARRENSE, uma busca pela identidade literária no cenário piauiense e local.

* por: Joaquim Neto Ferreira

Não sei que razão pode alegar em defesa da identidade literária da nossa literatura barrense, ou de uma obra literária, não sei. Somos viciados por leitura e livros, somos seres primitivos, não tem ainda hoje uma fórmula e um fim mais razoável com as aspirações do entretenimento, da diversão, da fantasia, do romance e do fazer poético.

A crítica que apresento propõe algumas reflexões, não conclusivas, acerca da Literatura barrense. Ao selecionar esse objeto duas questões são centrais: 1) de que maneira o percurso da história literária de nossa Barras, sintetiza uma identidade literária?

2) Com qual premissa metodológica a história literária se  constitui como identidade, impelindo-nos a pensar no processo de formação da identidade literária barrense?

Esses questionamentos nos obrigam a verificar, como se teciam as relações entre o escritor e a obra literária, durante o século XIX, no domínio político-cultural, destacando a importância do núcleo populacional em formação da nossa cidade para o fortalecimento de nossas inteligências literárias, e como se definirá então um conceito literário  de identidade local.

Há indiscutivelmente “agentes de ligação”, entre Barras e o resto do Estado piauiense, que são determinantes na formação do conceito de literatura, “elaborado” pela  inteligência piauiense e absorvido em formas específicas de representação, a saber, as obras literárias, os textos-documento (aqui destaco Leonardo das dores e Hermínio Castelo Branco) e a  historiografia literária piauiense do começo do século XX.

Para entender uma identidade literária recorro a Antonio Candido que traz, como último capítulo do seu livro Formação da Literatura Brasileira, a reflexão acerca da formação do cânone literário brasileiro, o crítico perfaz uma longa seqüência de informação sobre os estudos que antecedem a História da Literatura Brasileira, de Sílvio Romero.

Para Antonio Candido o esforço semi-secular aparece coerente na sucessão das seguintes etapas:

1) o panorama geral, o bosquejo,  procurando traçar o passado literário; 2) a antologia dos poucos textos disponíveis,  o florilégio;
3) a concentração em cada autor, aqueles referidos rapidamente no panorama: são as biografias literárias, reunidas em galerias. Lado a lado com esse processo, o incremento de interesse por alguns textos para edições reedições, acompanhados geralmente de notas explicativas e informação biográfica.
Nesse percurso, o crítico destaca a pesquisa de Magalhães, Pereira da Silva e as antologias de Pereira da Silva. As edições e reedições de Fernandes Pinheiro, Norberto, Henrique Leal e Vernhagen.

Para responder nossa segunda reflexão nós preenchemos nossos alvos atendidos ao entretenimento em vez de se constituir um corpo apreciativo da TV, que nos torna uma simples máquina, um instrumento comum, um sem ação que traça os seus juízos sobre as linhas implacáveis de uma mídia que manipula e nos serve de norma. A literatura barrense ainda não está sistematizada em estudo e não esboça o desejo e projeto de construção de uma literatura local.

A historiografia literária, então, assenta-se ao princípio pedagógico  quando afirma a consciência local ou a possibilidade de visualizar uma Barras pela reunião de textos que une o passado ao  presente, dotando-nos de uma fisionomia própria. Também nossa literatura aos poucos está poderá a vir ser sistematizada literariamente e isso ocorrerá aos poucos,  o que influenciará decisivamente novos escritores e nossos leitores.

Julgar uma composição literária é tocar à moral, às leis e à religião, não é discutir-lhe o mérito puramente literário, no pensamento criador, na construção poética, nossa literatura barrense não é desenho de caracteres, não é disposição de figuras no jogo da língua para uns da literatura piauiense.

Há  um mister de conhecimentos mais amplos na leitura de um livro do que em um programa televisivo, e os conhecimentos tais de um livro pode nos  legitimar numa magistratura intelectual. Não que queira ser contra a televisão, nada disso, como disse, basta apenas meia dúzia de telespectadores e está preenchido o fim.

Julgar o valor literário de uma composição, é exercer uma função civilizadora, ao mesmo tempo em que praticar um direito do espírito é ler.  Contudo, por vezes as inteligências do nosso povo barrense estreitassem a laços televisivos e sacodem sem freio o que lhe serve de lei, e entram no exercício do direito de copiar personagens e dirigir ações que lhes cegam; não deliberam em nada, é verdade, mas são manipulados sem protestar.

Os livros dos escritores barrenses atualmente é uma estátua que vai tomar vida nas mãos de Prometeu, mas a inferioridade do público leitor fica assinalada com a autópsia do escopo de poucos livros. No começo do século XXI, nossa literatura barrense ganha à arte com essas análises de críticos e escritores. Ganha mais nossa literatura barrense, quando muito, o leitor passar a vivenciar nossa história de arte.

A análise das concepções literárias, é ainda pouco e a missão para a futura geração é estudar um literatura como carga horária no currículo escolar barrense. Não se pode negar a inteligência dos valores barrenses que limitam ao trabalho enfadonho das produções artísticas e marcam-lhe as inspirações pelos poucos artigos literários.

E — note-se bem! — é esta uma questão de grande alcance do nosso povo. Qual é a influência de um livro na vida de um povo?

A produção literária barrense ainda cambaleia, mas existe de fato. É um respeito e um orgulho poder inspirar os ares poéticos de nossa terra dos intelectuais. Trocam-se os papéis atualmente, ler mais os escritores de que os leitores.

Façam-se barrenses ampliar as visões dessa literatura; procurem dar-lhe outro caráter mais sério, outros direitos mais iniciadores; façam dessa fonte literária, uma mudança radical na forma de valorização do que é nosso.

Em matéria de arte literária, eu não conheço susceptibilidades nem interesses de nossos escritores. Emancipem o espírito barrense, hão de orgulhar-se das nossa produções literárias.

Nota bibliográfica:
Afrânio Coutinho, A literatura no Brasil.
Antonio Candido, Formação da literatura brasileira.
Silvio Romero, Metodologias da historiografia brasileira.


*autor de Na Essência da Alma Poética, Galápagos - poesia de          degredo – romance Terra de Marataoan.
 

Romance Terra de Marataoan



CAPÍTULO 03

O sol subindo aos céus benditos do Mocambo, depois de mergulhar nas infinitas noites trazia mais um dia de estio do seco mês de outubro em que o mandacaru verdinho e solitário coloria a paisagem cinzenta na beira da estrada de piçarra. A barra do dia avermelhava-se no nascente e o galo no poleiro da casa de dona Mara Rúbia cantava o último fio da teia das cantigas matinais. O vaqueiro Raimundinho do João Tomaz encostado ao mourão da porteira de paus corridos do curral aboiava dolorosamente vendo o gado sair de par em par.
As poucas reses deixavam as marcas dos cascos na areia fina do caminho tortuoso descendo o morro à procura por pastos lá para a entrada do Barreiro do Otávio. Os rastros ornamentavam juntamente com os capins a lapidação do desenho serpenteado feito pelos pneus das bicicletas. As poucas vacas do quitandeiro Florindo caminhavam lentamente, bois mansos com passos cadenciados, passos devagarzinho e macilentos com o mais espirituoso da fazenda saindo arrogante, o enorme garrote gladiador de grande cupim no lombo e empurrando as magras vacas de cria e espalhando os esqueléticos bois pé duro, atropelando-os com o som assustador e temível do chocalho no pescoço.
Assim que o garrote transpôs a porteira e passou junto de Raimundinho do João Tomaz, o homem o afagou com as mãos, o enorme cupim no lombo e as ancas em um gesto de carinho e de despedida, pois o garrote iria ser abatido minutos mais tarde pelo machado impiedoso e afiado do Zé Lustosa. O vaqueiro com a companhia de Zé Lustosa laçava o garrote gladiador e o prendiam ao pé do mourão.
A seca de 1982, uma inimiga que incomodava os pobres e necessitados do interior e de grande valia aos poderosos da terra de marataoan que lucravam com os recursos da emergência do governo federal.
Quanto mais dias se arrastavam pelo calendário da Shell pregado na parede de taipa da casa de Conceição, mas gente escapava-se discretamente, e quando não dava mais para resistir à fome e as dificuldades vinham o longo martírio na vida dos retirantes na fuga para cidade buscando por melhorias.
Da bancada feita de pau de angico, na frente da casinha de taipa e em pé vendendo uns cafés, Conceição conversava com uns fregueses do são Domingos sobre a falta de chuva no Mocambo.
- Para chover aqui, só mesmo roubando um santo lá da igreja das Barras, isso se padre Rodolfo não ver. Dizia a moradora Maria da Conceição.
Os mais velhos no interior acreditavam e diziam que roubando um santo da igreja, no lugar chovia. Maria da Conceição sabia juntar muita coragem, crença e rir das dificuldades naquela época de dificuldades aos interioranos. Acrescentava-se também que a longa e pitoresca seca vinha ano após ano trazendo nas algibeiras, a falta de chuvas e anexando as dificuldades no campo tão irrigadas ás promessas dos políticos, os desvios dos recursos do governo federal como as cestas básicas e outras coisas.
- A seca, dizia Maria da Conceição, eu sei que é além de uma palavra de quatro letras, um tanto eufônica, é verdade, mas cheia de prenuncia de lutas e desgraças. 
Olhando-se para o céu sem nuvens dava para se ter uma idéia da situação de caos no interior de Barras. A linguagem constante na vida da mulher e do povo que vivia no interior da terra de marataoan traduzia-se no único assunto popular, a seca e suas conseqüências.




LITERATURA BARRENSE É DESTAQUE NA EUROPA, PORTUGAL ACESSA O BARRAS LITERÁRIA

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domingo, 6 de novembro de 2011

Romance Terra de Marataoan


CAPÍTULO 02

Durante as noites, a fumaça das carvoarias, um hálito que incomodava os moradores e os deixava enfurecidos. As manhãs do Mocambo já nasciam perfumadas pelas famosas carvoarias da velha Maria Luzia. A fumaça azulada vindo lá de dentro do cercado de arame da casa de Maria Luzia e tendo o velho Romeu de cócoras sempre intimando a mulher pelos gritos estarrecidos e escandalosos.
Assim que o nevoeiro esvaia-se, lá da varanda debaixo do alpendre, o senhor Florindo sentado numa rede de tucum balançando e apreciando o nascente com os róseos matizes da barra avermelhada do dia, espreguiçava-se sentindo a fumaça das cascas de coco babaçu queimarem no fogareiro vindo da cozinha misturado ao cheiro de café de dona Mara Rúbia sendo coado.
As vermelhas brasas tão soberbas que era o sol dourado, imperioso a ferver o leite puro das poucas vacas que o senhor Florindo teimava em criar naquela terra seca.
Curvada sobre as trempes secando as louças no girau, dona Mara Rúbia com um pano amarrado na cabeça enxaguava os últimos trens nas mãos ágeis que areava os copos de alumínios esfregando a bucha de faveiro e sabão feito de soda. 
Lá da cozinha, a mulher chamava pelo esposo sentado na varanda proseando com uns caboclos das bandas do Barreiro do Otávio e corrigindo com a vista a expressa da Princesa do sul que assanhava a poeira quieta da estrada de piçarra. Dentro do quarto, a filha do quitandeiro Florindo, a menina Ísis dormia com os pés e as mãos tranqüilas na rede de meia sol a sol, até o astro rei ganhar altura no céu e pelas frestas da janela, os raios invadirem o quarto despertando-a do sono.
- Florindo, acorda Ísis, eita menina que dorme até tarde. Dizia dona Mara Rúbia, enquanto servia o café a caboclada.
O dia se condensava depois da enclausurada noite escura e fria que ao olfato das pessoas sorviam o sabor do dia nas novas esperanças por chuvas.
A arte celestial da aurora esculpida no firmamento, ás cinco da manhã evocava as horas mais ditosas ao vaqueiro Raimundinho do João Tomaz que revivia no novo dia, o presente imerso no regaço e na labuta procurando por voluptuosas fontes de água para o gado nos dias futuros.
O cálido abraço de despedida no garrote gladiador naquela manhã de domingo por minutos a fio via-se juras de amor do pobre homem com o estimado animal e o preferido do pouco rebanho que permanecia ainda de pé. Raimundinho do João Tomaz pesquisando com os olhos em 360 graus para o céu, ele via nos dias sem chuva, o fundo do abismo aonde não chega mais as esperanças de um caboclo por dias melhores.