domingo, 26 de fevereiro de 2012


GALÁPAGOS - POESIAS DE DEGREDO

FACE DO ESPELHO


O rosto ri, o escárnio no espelho refletido,
A face emoldurada que traduz desesperando,
No reverso que desperta o ar constrangido,
Da beleza então pretendida se maquiando,


O pente desliza pelo cabelo na moldura,
E os olhos piscam retratando a alma,
Que desfila na avenida a dentadura,
De uma boca inquieta e que se acalma,

Nos lábios o colorido é por conta do batom,
Que sela a perfeita imagem na insônia,
E o vermelho é ditado e insistente no tom,


Que revela a fase do espelho sem cerimônia,
O colar no pescoço e o vestido marrom,
De um enfeito demorado tão “sem vergonha”.

sábado, 25 de fevereiro de 2012


SANGUE

Corre nas horas incansáveis a obsessão,
Infeliz no meu líquido um pouco insano,

De alguém sem vida na eterna dispersão,
Que derrama e que despe o ser humano,

O sangue gélido que escorre vai descansando,
Na lágrima do rosto que desce no destino,

Que na lembrança do amor despedaçando,
Foi vagão na contramão viajando e repentino,

O rubro que esvaece nas veias vai acendido,
Pelo fogo que queima no âmago castigando,

E na noite fria é ar e respiro confundido,
Na adrenalina do coração que amargando,

O suspiro da reza que erra e foi perdido,
Da paixão efêmera de amantes, amando.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

GALÁPAGOS - POESIAS DE DEGREDO 

RISO MARGINAL
No palco do céu resplandece a interpretação,
Da são José o caminho ortodoxo,
No eterno vai e vem, um pouco paradoxo,
De carros e pessoas em transação,
Pessoas reduzidas em suas individualidades,
Sem máscaras no plenário do sol escaldante,
Que reluz o suor nos rostos de uma cidade,
Que vagueia na obsessão do sonho Dante,
Carros e buzinas, gritos e gemidos anônimos,
Que traduz a leitura na expectativa do jornal,
Que corre as notícias em seus sinônimos,
De uma Barras com seu riso marginal,
Que aquece humanamente seus antônimos,
No calor gélido do asfalto surreal.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


Galápagos - poesias de degredo


ROTINA

Olhos atentos ao conteúdo da meditação,
Pelos outdoors que avistam pela rua,

O sabor da cidade grande é inspiração,
No ônibus de faces estranhas e tão nuas,

Pessoas que transitam na oportunidade,
Do trabalho donde são os autores da vida,

Pernas que caminham na imensa infinidade,
Que se paralisam no sinal da avenida,

Rostos suados no mundo leitor,
Gravitando na busca dura e subjacente,

A rotina do pão de cada dia no labor,
No livro sem fantasias e sem precedente,

Do ser humano na luta é o autor,
Duma história diária repetente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


GALÁPAGOS - POESIAS DE DEGREDO
imagem:
A PRAÇA ASSISTIU


A praça da matriz assistiu passar mentes vãs,
Todas são orgulhosas e fazem mil loucuras,


Um poeta sentado no banco da praça na manhã,
Ver o canto dos pombos revoarem com doçura,


Majestosa a praça menina é prazer e luxo,
Contenta-se tão pouco sem apelação futura,


Ouve a doce lira das pessoas em refluxo,
No vai e vem do homem que procura,


O café que é sangue da amada virgem,
Tida como troféu ou talismã diário,


A praça assistiu a tudo com vertigem,
As árvores desfolharem em vibração,


Sob o balançar dos ventos as harmonias,
Sentindo o egoísmo da oxigena mutação.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

GALÁPAGOS - POESIAS DE DEGREDO
imagem: 
BATALHA DE GIGANTES


Marataoan e Longá, amantes a beijar a linda Barras,
Como dois súditos servindo fiel a doce cidade,
Como namorados de uma novela tão repentina,
Que provando seus amores com fidelidade,


São dois bravos valentes numa cena de glória,
Na batalha avançada dos versos cantados,
No teatro da natureza cenário da vitória,
Que sofrem seus amores no leito calado,

E escrevem a história como dois escritores,
Sobre a capital mesopotâmia nos lindos versos,
De loucos visionários na sombra dos reversos,


Do amor pela cidade encanto dos amores,
No romance de capítulos ensaiados do verde,
Para refletir exuberantes para teus leitores.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012



DAS PALAVRAS

                   Na exaltação do poema que fiz a Barras,
                        Quanto à inspiração do verso falta um negócio,
                                    Que só não é esmola porque a mente ensina,
                                                 No troca-troca da rima perfeita que não é ócio.


                                                 Que se troca e troca as palavras no poema,
                                    Fazendo um favor ao bolso ou ao salário,
                       Trocando o troco que sobrou por um tema,
                   E o tema que é pouco, mas muito fadário.