domingo, 3 de junho de 2012

GENTE QUE FAZ LITERATURA

REINALDO BARROS TORRES

DO DESTAQUE NA LITERATURA PIAUIENSE AO 

JORNALISMO





REINALDO BARROS TORRES, nasceu na cidade de Barras, Estado do Piauí. Escritor, Poeta, Cronista, Contista, Jornalista. Titular da Cadeira 12 da Academia de Letras do Vale do Longá – ALVAL. 

É o único membro no Brasil do “Conselho Internacional para o Bem-Estar da Humanidade na América Latina – CIBEHAL” – órgão de assessoramento sócio-político à Secretaria-Geral das Organizações das Nações Unidas – ONU, com sede em Puebla, no México. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE-PI.

Autor de “Madrigais” (1997) – Primeira Edição, e em 1999 – Segunda Edição; dos livros inéditos “A Família Barros da Cidade de Barras” e “Marathaoan, um Rio que corre em minhas veias”. Autor também de três peças teatrais: “Amor Fatal” (1979) – escrita em parceria com Osmália Pereira Lira e Antônio Carlos Ananias Costa, “Faces Paralelas” (1980) e “Mundo Avesso” (1980). Participou com o poema “Rosa” da Coletânea dos Poetas Brasileiros (1984) – Edição da Shogun Arte – Rio Grande do Sul; Primeiro Lugar no Estado do Piauí na “Maratona Literária sobre a Proclamação da República” - (1983) e Segundo Lugar no Estado do Piauí na “Maratona Literária sobre a Vida e Obra de Olavo Bilac” – (1984), ambas organizadas pela Secretaria de Estado da Educação. Tem mais de 500 poemas inéditos. Prefaciou vários livros de autores piauienses. Tem curso de Teatro e Dicção pelas “Escolas Associadas do Ceará” (1979) e curso de extensão em Química, pela Universidade Federal do Piauí. 

Verbete do “Dicionário Biográfico dos Escritores Piauienses de Todos os Tempos” (1995), de Adrião Neto; “Grande Dicionário Histórico-Biográfico Piauiense”  (1997), de Wilson Carvalho Gonçalves; “Visão Histórica da Literatura Piauiense” – Tomo III  – (1998), de Herculano Moraes, e “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos” (1998), de Adrião Neto.

Atuações: Diretor Literário do Movimento Jovem Tulipa (Belém-PA) – 1981. Ator, Diretor do “Grupo Teatral Bons Amigos (Barras-PI) – (1975/1980). Assessor de Comunicação da Companhia Energética do Piauí – CEPISA. Articulista do Jornal O DIA (Teresina-PI). Articulista do Jornal Diário do Povo (Teresina-PI). Secretário-Geral da Cruz Vermelha do Estado do Pará. Presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo (Belém-PA). Assessor de Imprensa do Partido Social Cristão – PSC no Estado do Piauí. Presidente da Executiva Municipal do Partido Social Cristão – PSC, em Barras.

Assessor Especial da Prefeitura Municipal de Barras em Teresina (1993-1994) administração José Ribamar Pereira. Diretor de Eventos Culturais da Academia de Letras do Vale do Longá. Secretário-geral da Academia de Letras do Vale do Longá. Agente de Ordem do Centro Colegial dos Estudantes Piauienses – CCEP. Segundo Secretário da União Brasileira de Escritores – UBE-PI. Secretário da Assessoria Jurídica da Companhia Energética do Piauí – CEPISA. Secretário-geral da Consultoria Jurídica da Presidência da Companhia Energética do Piauí – CEPISA. Redator da coluna política “Colunão RBT” e da coluna alternativa “Sinal Aberto”, do Jornal “Correio do Norte” (1992), de Barras-PI. 

Diretor Geral do Jornal “Correio do Norte” (1992), Barras-PI. Redator da coluna “Barras em Foco”, do Jornal O Dia, de Teresina-PI (1991). Redator da coluna da Academia de Letras do Vale do Longá, no Jornal O Dia, de Teresina-PI, desde Maio/2001. Apresentador do "Programa Circuito Cultural", na Rádio Vermelha FM, em Teresina-PI, desde Novembro/2002. Titular do Blog de Barras no portal de notícias 180graus de 2003 a 2010. É o responsável pelo blog esportivo piauiesportes.futblog.com.br, e o correspondente no Piauí do site esportivo cearense artilheiro.com.br e do paraense futebolnortista.com.br

É filho dos barrenses José Ribeiro Torres e Maria Inês da Cunha Barros Torres. Neto pelo lado paterno de Olavo Ribeiro Torres e Zenóbia Barbosa Torres, e materno de Raimundo de Sousa Barros e Rosa da Cunha Barros. Tem quatro irmãos: Adriana Maria Barros Torres, Rogério Barros Torres, Danielle Ferreira Torres e Dayana Ferreira Torres. São seus bisavós paternos: Fernando Ribeiro Torres e Vitorina Maria da Conceição Torres, e Diolino Oliveira e Maria Barbosa de Oliveira. Trisavós paternos: Fernando Ribeiro Torres e Rosa Torres de Sampaio, e José Cândido e Cordulina Maria da Conceição. São seus bisavós maternos: Antero de Oliveira Barros e Francisca Lima de Sousa Barros, naturais de Pedro II – PI, e Ignácio Ribeiro da Cunha e Maria Rodrigues da Conceição, naturais de São Benedito – CE.

Fonte: Tribunadebarras.com

Imagem: arquivo da net

NA ESSÊNCIA DA ALMA POÉTICA - POESIAS GÓTICAS - 2009


A MÍSTICA DOS SETE


Em sete sonhos tentei desvendar,
Num longo sono adormecido,
Entre o viver e o morrer esquecido,
Nos sete dias do poder de criar.


Encontrando no Gênesis o inicio,
Das sete igrejas que descerão,
Ouvi o grito das sete trombetas que virão,
Anunciar os sete pecados mundanos,


Lançado pela tríade aos quatros cantos da terra,
Combatidos pelos sete anjos de luz,
No apocalipse que é o fim e que se encerra,


Na eterna batalha espiritual,
Entre o bem e o mal,
Dos mistérios dos sonhos sonhados.


O ECLIPSE DA POESIA


Na minha vã pobre Filosofia,
Não sou rico de muita poesia,
Mas tenho em meus versos,
O eclipse da diferença que te peço.


De um complexo raciocínio humano,
E ilimitado ao subconsciente profano,
Mensurável ao finito de consciência,
E infinito aos que tem inteligência..


De muitos que tem formosura,
É estado avançado de loucura,
E lentidão no mental de desfavorecidos,


São alma de sábio-loucos esquecidos,
Que na critica dos dissabores de tolos,
Do tal entendimento que deles riam.

CHÃO DE FOGO, CAPÍTULO 02



A lei suprema dos céus apresentava a platéia entediada, a linda lua prenhe de belezas. Obra que pragueja a misericórdia de Deus na noite de prazer ardente em que se rasgava o ventre prenhe da luz, sob a auréola prateada suspensa nos céus. No alto da terra de marataoã, o anjo vigilante prateado, depois que se inebriou o sol deserdado pelo poente da cidade.

Às nuvens sem fala, os ventos desafiando a via-sacra das canções que percorriam em festa a bela terra de marataoã. O povo seguia em sua romaria nos lentos passos. Lábios usurpando o riso nos cândidos louvores a fatigar as ímpias fantasias. Seis horas da tarde e a lua muito branca no nascente derramava-se pelas ruas do bairro Curujal.

O povo de Barras preparava-se para a abertura dos festejos. Os moradores de todos os bairros da cidade puxavam-se para a praça de santa Luzia no bairro Boa Vista. Na praça da igreja de santa Luzia e são José operário, não havia um lugar para ninguém; cheia, do altar às portas de entrada. A procissão iria sair com o grande mastro. Os fiéis ouvindo o carro de som do Paraíba a gemer os seus cânticos sagrados. Mulheres a cantar o hino da padroeira durante o longo caminho da procissão pela Taumaturgo de Azevedo.

Uma coisa muita alegre na terra de marataoã, aquelas vozes de corações jubilosos a cantar a música da padroeira, numa grande festa dos festejos. Todos na procissão cantavam. As festas religiosas de 1995 prometiam ser uma das mais alegres e participativas dos últimos anos.  Os religiosos e o povo em geral esperavam o ano todo na cidade de Barras, os festejos da padroeira nossa senhora da Conceição.

A cultura religiosa das festas da padroeira sempre foi à raiz cultural do povo barrense. O povo barrense submetia seus reclames e agradecimentos à virgem imaculada, durante as festas. Sempre alegres, as mulheres, crianças, rapazes, adultos e idosos transformavam as onzes noites litúrgicas em pacto e contato direto com a fé. A devoção a padroeira era imenso. Viajava-se nos onze dias nas rezas e devoção das novenas animadas.

O levante do mastro era o ponto principal depois da procissão vinda da Boa Vista. Assim que subia a rua Taumaturgo de Azevedo, aquela enorme dúbio serpente iluminada na noite barrense, sob a luz de milhares de velas, era como se não existissem ato tão lindo na terra de marataoã.

Inumeráveis fiéis freqüentemente rogavam a virgem dos céus a pedir e agradecer pelas graças alcançadas no decorrer do ano. O grande coral de vozes a entoar o hino da padroeira era uníssono e agradável aos ouvidos dos cristãos. Com a vela nas mãos, dona Mundoca sentia os pelos dos braços arrepiarem de emoção. Eunice segurava as mãos da avó com força.

- Ei vó! O  avô Cassimiro nem veio?

- Te cala, Eunice, durante a procissão ninguém conversa. Dizia dona Mundoca.

... Eia povo barrense é chegado! O momento de grande alegria! Elevai nossa fé! oh cristãos! Em louvores a virgem Maria! Salve Rainha dos céus, salve estrela da manhã! Salve a padroeira de Barras do marataoã!

Pessoas de todas as idades, umas herméticas, outras dadas à relação íntima do poder espiritual e todo mundo, com um só objetivo, o de adorar a virgem imaculada Conceição. A procissão distribuía-se, de modo compreensível, regular pela rua de paralelepípedos. Serpenteava o contorno da esquina da Casa Rosada pelos fundos da igreja rumo à frente.

Os sinos envelhecidos acelerados do alto da igreja batiam mais fortes pelas mãos ligeiras do acólito em frenesi. Naquele inicio de noite, o som se disseminava pelos quatro cantos da cidade, desde o são Cristovão ás Pedrinhas. O som levado pela brisa forte resplandecia por toda a terra abençoada pelas mãos da santa mãe de Deus. Preparavam-se os fogos de artifícios na praça da matriz. A grande novidade daquele ano, a cachoeira suspensa no alto da igreja a descer fachos de uma cascata luminosa de fogo.

- Sai daí, Tonho, que o papoco é dos grandes! Dizia Maria de Lourdes.

- Vamos ficar mãe! dizia Getúlio.

- Que nada! Tu estás é doido, menino! Creusa vem para perto de mim.

Os céus enevoados da fumaça dos foguetes, depois do grande espetáculo noturno. Todos os olhos fixados nos céus e espalhados pela multidão. Milhares de fieis, por toda a parte do adro da igreja, na praça da matriz e portas das casas do centro observavam o lindo espetáculo, a queima dos fogos.

Às vezes, as crianças assombravam-se, choravam, gritavam ensandecidas pelo espetáculo dos fogos, mas deixavam-se entreter, com a linda visão fantamasgórica brilhando no alto dos céus. Muitos fiéis rompiam e se agrupava nos caminhos das ruas de paralelepípedos do centro da cidade, depois de escutar os fogos recortarem no ar, com sibilantes flechas de fogo efêmeras, os céus barrenses.

Perto da barraca do leilão, muitas jóias trazidas pelo povo do interior de Barras e pessoas espremendo-se para ocupar melhor lugar. A banda de música ensaiava os últimos ajustes do dobrado. O gritador do leilão testava o microfone ligado:

- Já vai começar o leilão! Gritava o homem.  O quê? O leilão! Ah sim. Traz o capão assado! 
Espera, é só mais tarde essa jóia. 




AGUARDE CAPÍTULO 03

sábado, 2 de junho de 2012


IMPRESSÕES DO ROMANCE TERRA DE MARATAOAN
*por email.

O livro Romance Terra de Marataoan, é sem sombra de dúvida um romance regionalista, do escritor barrense Joaquim Neto Ferreira (2011), podemos certamente creditar a obra, o primeiro romance genuinamente barrense publicado em ebook. A leitura agradável do romance nos remete a uns José Lins do Rêgo, uma Raquel de Queiroz e o leitor por um instante pode degustar-se de uma ficção regionalista em pelo milenismo.

O Romance Terra de marataoan leva-nos a refletir os costumes, o êxodo rural e a estória de um povo. Não obstante, o texto Neto ferreriano retrata-nos uma Barras com seus antagonismo na política local, adaptação a um novo contexto social, um mundo rural para o urbano com a personagem Conceição e a figura infantil de Tampinha.

Joaquim Neto Ferreira nos leva a uma dimensão na qual Barras vive a intersecção do senhor de propriedade, dos laços latifundiários para um senhor da política centrado na figura de Zé de Lauro. O coronel de terra na figura de Regilberto nos dar a grandeza daqueles que viveram na terra e fincaram suas raízes na relação patriarcalismo versus servilismo. O estilo poético que povoa todo o romance barrense é de uma poesia riquíssima.

O entrelaçamento do romance é uma espécie de textos conectada e em sintonia a narrativa, isto é, como se fosse um conto dentro de outro conto. Paulatinamente ao romance, vale mencionar a relação semiótica da seca, o grande desafio do nordestino. De José Lins do Rêgo, o romancista citou a paisagem sertaneja, os diálogos curtos.

No capítulo “sobre os festejos da padroeira”, o leitor depara-se com a ordem religiosa do povo barrense e a raiz cultura do povo.  “O povo se apinhava ás multidões na praça da matriz. O dinheiro corria nas barracas de confecções da rua Gervásio Pires que empatava o povo andar por ali dividindo o lugar com as mercadorias. As lembranças do menino tampinha lhe serviam de repasto, ele remoia no pensamento as misturas cinza dos bagaços que o tempo cruzou nos seus passos. No alto da igreja, os acólitos davam as derradeiras badaladas no sino.” (romance Terra de marataoan CAPÍTULO 07)

Em Raquel de Queiroz, a epígrafe da seca, suas mazelas sociais. É claro a intenção política do autor no romance e não é diferente, pois os autores do milenismo da Literatura Piauiense são eternos críticos sociais e esfacelam as vísceras pútridas de uma política corrupta. O latifúndio como uma espécie de jogo na cena política e a questão social da terra.

“O azul pavilhão do céu distendido na imensidão do mundo circundava-se com a esférica amplidão das nuvens. O drama dos trabalhadores rurais na luta por umas glebas da terra para morar e plantar o alimento. O embriago febril dos latifundiários nas essências confundidas nos interesses em mais torrão e chão. Talvez do óleo de coco dos babaçuais por muito tempo seria a crina ondeante das riquezas descobertas no lugar. Os pobres homens queriam apenas cultivar o pão de cada dia naquela imensa terra. O INCRA com o desejo dos ouvidos cantantes dos poderosos a época era apenas um oásis e sonho sobre o odre abundante do latifúndio dos coronéis”. ( Romance Terra de marataoan, capítulo 05)

O escritor barrense reúne imagens metafóricas à obra. O drama da retirante barrense e o choque cultural do menino Marcos, o tampinha remete-nos a “Doidinho” de Zé Lins. O termo de lírico é um forte foco narrativo. O narrador onisciente denuncia a face corrupta dos políticos. Por fim, Romance Terra de marataoan, uma leitura simples, um romance desse que é uma grande pintura regionalística misturando passado, presente e futuro.

José Alves, leitor.

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NA ESSÊNCIA DA ALMA POÉTICA - POESIAS GÓTICAS - 2009


HOMEM DAS TAVERNAS


Pelos burgos e tavernas,
Dos feudos das cidades,
Andarilho errante das cavernas.
Dos bacanais de iniqüidade.


Sórdido nos bares da vida,
Levando em cada gole a orgia,
Curando então as feridas,
Num anuncio de alegria.


De uma falsa dispersão,
De uma viagem louca no além,
Que no álcool disse amém,


De uma ilusão entorpecida,
Ser excremento a vagar,
Sua realidade esquecida.


MADRUGADAS


Nas madrugadas de estrelas brilhantes,
Da janela do quarto, via na escuridão,
O grito do silêncio na noite, a solidão.
E sozinho lembrava-me de como era antes.


As noites negras de minhas tristezas,
Ser minha companheira e amante,
Consolar-me com seu fel e suas friezas,
Adocicar-me amargamente com seu calmante.


As doces desilusões que um dia acreditei,
Na insônia do longo descontentamento,
Que pra mim era um grande tormento,


Levado na saudade dessa noite, o pesadelo,
Dos lindos dias de minha infância que sonhei,
Num riso irônico que se foi e não disse adeus.

sexta-feira, 1 de junho de 2012


NA ESSÊNCIA DA ALMA POÉTICA - POESIAS GALÁPAGOS - 2009


POESIA


Sou nos versos escritos e poetizando,
Da caneta que escreve e que prenuncia,
O poema no ventre que um dia,
Saíram da folha de papel em branco.


Sou as estrofes amorosas de enamorados,
Na poesia a lembrança que é alma viva,
De namorados que se amam e que cativa,
A necrose no coração de apaixonados.


Sou o tudo no esquecimento e o nada,
No principio que se faz o fim,
E se me querem no seio assim,


Carrego no peito a eterna emoção,
Nesses versos alegres da paixão,
Que são remédio e analgésico pra mim.


X e Y do AMOR


Ao amigo Sandro Márcio e família.


O amor anda se complicando,
Pelo refugio da tangente,
Na equação do que se sente,
Dos sentimentos alimentando.


Dentro da função do amar,
No teorema da paixão,
Que até Pitágoras sentiu emoção,
No enigma a encontrar,


Pela natureza deflorar,
Os problemas entendendo,
São sentimentos que se vendo,


De amantes no sonho pensando,
As raízes do X e Y do amor,
Nas raízes da equação do amar.

ROMANCE CHÃO DE FOGO



COPYRIGHT © 2013 BY. Ferreira de Sousa Neto, Joaquim. Teresina – Piauí. Ficção Piauiense – ROMANCE CHÃO DE FOGO

Todos os direitos reservados de acordo com a lei n. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.  Autorizado somente a reprodução parcial desde que citado o autor.

Digitação: Leidinalva Sousa Costa Ferreira

Revisão Gramatical: Janice Welma Batista

Edição: Cleyrane Borges Ferreira

Este romance é uma obra de ficção baseada na livre criação literária. Os personagens, os diálogos, lugares e enredo da ficção foram criados a partir da imaginação do autor e não são baseados em fatos reais. O pano de fundo da estória é a cidade de Barras da década de 90. Qualquer semelhança com nomes, acontecimentos ou pessoas, vivas ou mortas, é tão somente uma mera coincidência.


CHÃO DE FOGO, CAPÍTULO 01

Naquele domingo á tarde, no meio daquele mundo de gente no Estádio Juca Fortes, seu Cassimiro, com a vista meio opaca e acinzentada comentava o polêmico lance, em que um jogador do Pequizeiro driblou o zagueiro do Atlético Barrense, foi derrubado dentro da grande área e o juiz não marcou o pênalti.

 - É um ladrão! E esse bandeirinha não serve para nada. Esbravejava o homem.

Quando terminou o primeiro tempo do jogo decisivo do campeonato barrense da primeira divisão, os torcedores eram um só nos comentários, a respeito do pênalti não marcado pelo juiz.

- Coitado do velho Zé, investe tanto pra fazer futebol! Pois é vem um juiz faz uma coisa dessas! Dizia seu Cassimiro.

Naquela tarde de novembro de 1995, o Juca Fortes escutava os gritos dos torcedores que xingava ou reclamavam alguma coisa do jogo. O juiz no pé do alambrado, com o fim do primeiro tempo, de cabeça baixa ficava chupando din din na mais absoluta indiferença aos torcedores.

- Era bom demais! Se o técnico do Pequizeiro tirasse o time do campo. Dizia uns.

No coração dos torcedores, naquela tarde cabiam todas as ofensas possíveis. O locutor na cabine da Rádio Clube gritava no microfone que o segundo tempo iria começar. O placar no alto do estádio marcava zero a zero acirrado. Ouvia-se o murmúrio do seu Cassimiro a falar, e via-se a torcida toda de pé e o homem de cabeça baixa, não via quando o atacante Gilmar entrou na área e marcou o primeiro gol para o Pequizeiro ao primeiro minuto do segundo tempo.

- Goool!!! Gil, Gilmar para o Pequizeiro Esporte Clube. Gritava o radialista.

A bola corria tola de um lado a outro do imenso campo. O torcedor no pecado de torcer por seu time vivia a mesquinhez que habita o espírito de fanáticos. O Juca Fortes cheio de corpos viciados pelo futebol. E muitos em adoráveis remorsos. Naquela tarde os torcedores do Pequizeiro eram mendigos exibindo o amor pelo time. Sempre fiéis aos jogos de domingo no Estádio, eles pareciam em contrição nos lábios sem mordaça incentivando a equipe frente ao Clube Atlético Barrense.

Tarde alegre com a final do campeonato barrense de 1995. Na face de seu Honório a desilusão e o pranto cheio de nódoas sem disfarce, quando o Pequizeiro marcou o primeiro gol. Sem medo algum, Cassimiro espremia-se por entre a multidão de pé nas arquibancadas. E, ao respirar, os pulmões do homem buscavam o estupro do ar por entre aqueles corpos, contorcendo-se. O braço fino de dedos míseros tremulava a bandeirola do time querido. O olhar esquivo à máxima emoção, quando o grito de gol ecoou pelos quatros canto do Estádio.

Toda a torcida no Estádio ensandecia-se. Uns diziam subindo no alambrado que chegara a vez do time da periferia vencer a elite na decisão do campeonato. Seu Cassimiro sentia medo de perder aquela decisão. O Atlético Barrense veio bem em todo o campeonato.  Na semifinal havia eliminado o Barrense por 3 a 0. O time contava com grande elenco de jogadores de Teresina. O Pequizeiro tinha eliminado o Marathaoan nos pênaltis.

Cassimiro sabia que o amigo Honório iria zuar muito dele no Centro Comercial. O Juca Fortes ia ficando vazio a cada minuto do final. Nos quarenta e três minutos do segundo tempo, cada torcedor do Atlético Barrense saia com suas bandeirolas e cabeças baixas pelo portão do Estádio, e tudo aquilo era como se um peso saísse das costas de seu Cassimiro, quando o juiz apontou para o meio do campo. Chegou enfim, a maior alegria de todas. O fim da partida. O Pequizeiro Esporte Clube sagrava-se campeão barrense de 1995.

- Somos campeões nesse chão de fogo. Dizia o homem.

- Oh! Que desgraça, meu Atlético Barrense não vencer! Lamentava-se Honório.

O grito de vitória do homem vinha como um consolo. Há muito tempo um time da periferia não ganhava uma final. O último campeão barrense tinha sido o DER do bairro Matadouro, ainda quando jogava no campo de areia do carnaubal para o lado da Vila Esperança.

AGUARDE CAPÍTULO 02