segunda-feira, 4 de março de 2013


SONHOS DE LEÔNIDAS


uma novela de JNFerreira.

2

Havia no famoso Cabaré Babilônia, localizado na rua Paissandu, bem no centro de Teresina, uma linda mulher de olhos verdes que brilhavam e seus lábios causava delírios nos sonhos dos rapazes, por longas noites ardentes. Uma bela mulher que tinha uma peculiaridade, só bebia vinho e pelas noites abria a janela, só para adorar o luar.

Era uma mulher loira, de uma pele branca, uma daquelas criaturas reumáticas que a coluna fazia um “S” no meio das costas.  Esvaziava o copo cheio de vinho, e com as mãos alvas, os olhos de um lindo verde, fixo nos rapazes. Leônidas recordou daquela noite no Babilônia. Estava sentado numa das mesas e a escutar o que a mulher dizia.

- Levei muito rapaz novo a perdição!

A mulher vangloriava-se, de iniciar muitos rapazes nas orgias do amor pago. O batom vermelho, desbotava-se nos lábios, ao beber o vinho. Leônidas tinha completado dezoito anos e não sabia ainda qual o gosto dos beijos de uma mulher.

Ali, naquele cabaré, o local ideal para devassar o hálito virgem nos beijos quentes daquelas mulheres da vida. Seria talvez, uma doidice, os abraços convulsos daquela mulher de seios murchos, rosto enrugado pelas intempéries do tempo. Ela sentia-se, abandonada pelo mundo, pelos homens e pela sorte.

- Aqui para mim, foi terra de oportunidades! Completava.

Os homens dentro do quarto, sentiam o cheiro do gosto de Michele pelos perfumes doces, perfumes puros, daqueles que embriagam a alma pecaminosa. Na cama, uma mulher de gozos frenéticos e de uma existência fogosa eterna que ninguém jamais esquecia. Leônidas estava apaixonado por ela. O primo dele, Alberto também.

Leônidas descia pela praça da bandeira, assim que vinha da Universidade Federal, ali passava longas noites perdidas ao relento, ás vezes pela avenida Maranhão, a espreitar-lhe da mulher um simples aceno ou até mesmo um adeus. 

Tinha tanto desejo e tanta esperança para sorve-lhe o primeiro beijo, mas precisava pagar por aquilo. Foi numa noite de soluços, lágrimas, de choros e de esperanças, de beijos e promessas, de amor e voluptuosidade que o rapaz a teve nos sonhos.

Quando Leônidas completou dezoito anos, partiu de Barras para Teresina. Na bagagem o sonho de vencer na capital como escritor de ficção. Durante a viagem só lembranças. Lembrou que era ainda uma criança ao entrar na casa do pai, e ver velho todo moribundo no fundo de uma rede.  O rapaz ajoelhou-se, perto do leito e agradeceu a Deus por ele ainda viver.

O velho Taumaturgo ainda pôs as mãos na cabeça dele, banhou as faces de lágrimas e eram as últimas que Leônidas ia ver cair. Com as mãos no peito, e com os olhos no filho, Taumaturgo ainda murmurou antes de falecer.

- Deus te abençoe!

Escutava pela última vez a voz rouca do velho. Todos ali choravam. Morreu sem deixar fortuna, dinheiro, somente dívidas. Laura, a irmã de Leônidas partira para Teresina e nunca mais dera notícias, nenhuma carta. 

A moça partira para capital, depois de um casamento fracassado aos dezesseis anos e ter um filho de outro homem. Costumava a sofrer castigos físicos do homem com quem morava. Leônidas tinha cinco anos quando ela viajou.

domingo, 3 de março de 2013


SONHOS DE LEÔNIDAS

Novela de Joaquim Neto Ferreira


1

Teresina de encantos poéticos. Uma cidade que é brisa nos doces cânticos de amor. É lira sob o manto verde que lhe recobre nas avenidas cinzentas e negras do asfalto. De ruas espontâneas que se agitam aos passos dos transeuntes no vai e vem de pernas entrelaçadas. Capital do sonho no céu que o vento leva nas harmonias da paisagem pelo Parnaíba abundante, imponente e majestoso.

Era ali no velho sobrado de paredes emboloradas pelo tempo, na rua Arimateia Tito, no bairro Monte Castelo, o refugio ideal que Leônidas tinha para escrever sua ficção. Ficção de páginas despedaçadas de um livro que com certeza nunca seria lido. Naquela noite, a rua se despia saudosa sob os véus do mistério. 

Dentro do quarto, a solidão do rapaz tão seminua e tímida. Uma luz que depunha fé teimava em clarear do brilho da lua no alto do céu. Nos escritos de Leônidas, os ingredientes de poesia e amor. Para ele, a capital tinha um mistério indecifrável de terra adorada a mais digna veneração. 

Sob as folhas de uma árvore, via se esfolhar a leiva da vida nos frutos e ramos da pálida fantasia com que imaginava as páginas da ficção. Das fantasias tão insanas com a prima Ísis que espraiava-se, nas mãos frias, o líquido sem cheiro que só o prazer lhe revolvia no momento.

Era de noite, Leônidas não conseguia dormi. Teve no sonho melodias ao embalo da lua clara no céu. Sob aquele frio clarão da lua, imaginava o rosto de palidez da mulher que povoou seus sonhos horas antes. Tentava recordar a langue face, os seios revoltos que palpitavam ao tempo que mesmo a sonhar, cismava querer beijar. O jovem escritor cheirava seus negros cabelos soltos e não conseguia mais dormir.

Talvez, Leônidas se embebesse na alma pensativa da bela amante a que seus beijos, semelhavam-se a noite de luar. Horas antes esteve perto da beira do cais. O Troca troca sentia o Parnaíba arder aos perfumes do vento. O cabaré Babilônia estava cheio de pessoas vendo a vida se embeber nas noites de orgias que parecia suspirar de sentimento naquele ambiente. Era uma noite pálida, noite de luar.

O Parnaíba a soluçar com a brisa que se desmaiava nas marolinhas a bater contra o cais. Depois de muito vinho, aquelas pessoas se entreviam com a imagem da mulher misteriosa que passeava entre as mesas do local. 

As imagens se fortaleciam na mente de Leônidas e quase desmaiado de sono, começava a sonhar novamente. Dormia sobre uma cama e nela cheia de sonhos que se faziam fixos. Via no sonho, a prima Ísis a quem achava ser tão pura que no sufoco dos lábios aos seus eram hálitos longos, serenos e frios.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


CONTO 04


ASSALTANTES DE BANCO


É um dos piores testes em operações especiais, é a caça a humanos. Caçar humanos, porém humanos armados até os dentes e com o espírito de fuga, eles se tornam demônios. Um dos elementos na porta do banco morreu feio. Um segundo que dava apoio, os convencionais conseguiram abater e ele morreu na caatinga. 

O pior desses foi o PQD, ele era o armeiro do bando. Eles infernizam as cidades pequenas do Piauí. Denominavam-se os reis da caatinga. Nem a CIOSAC de Pernambuco combatiam os elementos. Quando a NERO partiu para lá, a festa do bando pernambucano acabaria, a paz para aquela gente voltaria.

Éramos a equipe Alfa que chegou ao local numa L200 para acabar com a festa ou melhor começá-la. Bebíamos água suja de um barranco. Uns camaradas de lá, nos olhava abismado.  É mais difícil água naquele interior do que em cidade grande se achar testemunha de crime. A polícia não é boa para ninguém, mas macho que é macho tem que aguentar o rojão. 

Dormimos desde o primeiro dia num lugar e noutro, fazíamos um arco fechado, pois não aguentávamos mais a viagem durante a noite. Depois de dez dias na caatinga, num lugarzinho chamado Por trás da Serra, o combate durou uma meia hora. Uma meia hora pode ser pouco, mas o som do tiro de fuzil a quebrar matos e partir aroeiras no meio do tempo, se confunde ao do som de trovão em tempos de inverno, é aí que damos valor mais ainda à vida. 

Não me lembro do nome, mais um dos assaltantes, um com a cara de assoberbado, um dos braços direitos do bando teve morte demorada. Bicho valente, reagiu na bala, no fuzil a ordem de prisão de maneira que tivemos de encher logo o couro dele e dos outros que reagiram. Um dos homens do camuflado teve uma ferida feia por causa de um tronco retorcido, assim que caiu para proteger-se. 

Muito sangue, o bastante para morrer, mas um torniquete poderia salvá-lo, técnicas de primeiros socorros. A maioria custou a morrer, prendiam o ar, mas não aguentavam o socorro chegar pelas difíceis estradas, mas com esses péssimos caminhos de carroça não se podiam fazer mais nada, estávamos exausto, com sede, fome e rasgados de espinhos de unha de gatos. 

Enquanto, a equipe descansava, sierra delta 26 sonhava. Durante o sonho, ele escutava um berro, mas um berro demoníaco. Sierra delta 26 via na sua frente, Bode velho, um criminoso conhecido da boca de pau, o 6 Dp no bairro piçarra. Bode velho tinha nas costa e na longa ficha criminal, uma capação. O elemento havia pego um ex namorado da filha e capado o pobre rapaz. 

Espetou o cabra no quintal da casa dele no Monte castelo e quando os convencionais, ele chegou a pular muro. Quando os militares policiais avistaram foi o rapaz todo babado e ensanguentado. Que arrocho. O rapaz se borrando nas calças sem as bolas. Por fim, no final da Arimateia Tito, Bode velho foi preso. Ele era um preto ruim, um infeliz, e de tão feio que  usava as costeletas sem aparar.


A noite sem estrelas, a aurora anunciando no nascente e o pouco de sol já a esquentar,  no sertão a quentura do mato fica viva.  Só, escutava-se o canto das fogo pagou. Muitos começavam a ficar sem as cuecas para evitar assaduras. Os pés no coturno com as meias endurecendo. Ninguém repara se está sujo ou limpo, é uma profissão miserável para uns e agradável para outros. 

Depois do dia todo de perseguição aos bandidos, todo mundo com o sujo escorrendo pelas dobras do pescoço. Quando encontramos uma casa no meio do mato, todo cuidado era pouco, no ponta a ponta tínhamos de fatiá-la, até sentir-se seguro para adentrá-la.

Nada tinha lá dentro, exceto por muita merda de pombos. Casa com aspecto de ter visagem, ser mal assombrada. Na hora do confronto, da espoleta rachando, não tem super-herói. Sente-se que as pernas não se movem, ás vezes se treme e uns fazem cara de medo e se destorce caindo pelo terreno no rastejo por causa dos barulhos dos pipocos. 

E gritos e pensamentos naquilo que nunca fez e pede a Deus nas alturas que a munição nos carregadores dos fuzis, não se acabe tão rápida. Depois dos ataques dos bandidos, o peito incha, a íris dos olhos volta ao tamanho normal e dá um arranque de risadas e erguem-se os fuzis para o alto, pois o caminho de casa todo mundo gosta de ir. 

Graças a Deus nenhum dos companheiros foi abatido no campo de batalha, enfim poderemos voltar para o convívio dos parentes e os inimigos prestar contas dos seus erros aqui na terra com o homem lá do céu ou o senhor habitante do vale de Hades.

AGUARDE MAIS CONTOS DA SÉRIE: OPERAÇÕES ESPECIAIS.

sábado, 12 de janeiro de 2013


CONTO III

REBELIÃO EM PRESÍDIO


Todo mundo sabe que o sistema penitenciário brasileiro é falho, deficiente e um lixo.  Um depósito de excrementos humanos. Rebelião em presídio é um tipo de ocorrência que é nitroglicerina pura. Quando aquilo explode é que pode ver o que é as vísceras pútridas do sistema. É visível de acontecer a qualquer hora. 

O próprio Estado é deficiente, inerte no que tange às políticas públicas de segurança pública e no processo de ressocialização do individuo infrator da lei. O mesmo poder público que garante a vida do cidadão é o que também a retira. Ele é o principal responsável na maioria das vezes, do aumento da violência e da própria criminalidade. Pois bem, rebelião em presídio é um saco, é de uma instabilidade para ocupantes de cargos comissionados, ou seja, se o fato é gravíssimo, cai toda cúpula da Secretaria de Justiça e cidadania. 

Não tem quem goste desse tipo de acontecimento ou ocorrência . É o tipo de serviço que todos odeiam, afinal, não tem quem goste de preso, ainda mais perigosos do Estado e os de fora. Digo isso, pois primeiro, é a única classe que conseguiu retirar nos primeiros dias de 2005, o governador Salas Pétreas, o juiz de Direito Lamas Lauro, o polêmico promotor Alarico Boaventura e vários políticos entre eles, o poderoso deputado estadual Romeu da bodega presidente da ALEPI.

Meio do mês de janeiro de 2005, explode uma rebelião das mais acentuadas na Casa de Reclusão são Todos uns Santos, na zona sul da capital piauiense. Um motim entre presos rebelados dos pavilhões A, B e C, a elite do crime e entre eles, assaltantes de bancos, estupradores e os restante de todas as espécies de idas no final. Destruição total de colchões, agentes penitenciários torturados e monitores feito de reféns.  

O motivo sempre o mesmo. Melhores condições, visita intima de três horas e a celeridade nos processos de presos provisórios e alimentação de primeira. É certo que a dormida nos quartos do lugar é pior que o inferno de Dante. Dentro das celas, da privada quebrada, fétida e em péssimas condições á água quente nas garrafas, até o calor infernal que mais parece uma sauna com 45 graus. O certo é nunca se beba uma água sem saber de onde veio. 

Caos total. Celas superlotadas, desde de presos dormindo em pé até outros desgraçados por cima dos outros. O secretário de Justiça e Cidadania, Dr. Jacinto Paulo, todo de terno cinza na televisão, a dizer que estava tudo ás mil maravilhas e que no Piauí o sistema ainda controla as penitenciarias do Estado, no meu pensar, antes de a voz afinar e os cabelos da cabeça cair e se tornar pederasta, Jacinto Paulo é além de incompetente, um ser humano falso ás suas convicções filosóficas.

Naquela rebelião tinha presos como o Cabelo de fogo, na qual amarrou, estuprou uma mulher de um pescador do Poty Velho, depois de introduzir cacos de garrafa nas partes da mulher. E ainda arrancou o clitóris da pobre ao sair mostrando na frente de todos. Ele merecia a decência da reivindicação dos direitos?  

Merecia um manicômio judicial. Sorte que a população não lixou em praça pública, por intervenção dos militares policiais. O líder do motim, uma ruindade, um estorvo da sociedade que a NERO havia prendido a um mês. Ele matava sem piedade. O último resultado foi um desafeto que teve a cabeça cortada no bairro Cidade Leste. Chamava-se Pedro Bala e era outro que brincava de ser chefe de quadrilha só para agitar as polícias de todos os Estados do Nordeste.

A prisão deste foi feito pela nossa polícia especial, depois de quatro meses de tocaia. O pessoal da inteligência dias e dias na quentura, no frio da noite e o bicho mudava de casa em casa, ia desde o Parque Universitário á Santa Bárbara, um espécie de nômade e vampiro. No dia da prisão, ele entrou por janela, pulou muro e fez escorrer o suor na cara de cada homem do camuflado na perseguição. Finalmente capturado. 

Certo que na fuga levou de brinde vários arranhões e hematomas, e ainda havia gente na plateia a acusar a Nero de dar uns conselhos de ensino no elemento. Uma espécie de animal em fuga. Ainda dentre as reivindicações queriam três horas de banho de sol. Quando a NERO chegou até o local, os bichos a bater na cara de um cristão a implorar por perdão e outro que cortaram a orelha. Balas de borracha, spray de pimenta e gás seria os acessórios para restabelecer a ordem naquele caos foi distribuído para todos eles.

Quando a NERO é chamada, é porque se esgota todos os meios de negociação entre o comitê de gerenciamento de crises e os rebelados. Muitos preferiam ser excomungado da terra, fazer companhia com o diabo e queimar nas labaredas do vale de Hades do que enfrentar a NERO. A primeira ocorrência de rebelião em presídio é a mais difícil, mas depois a gente aprende a não olhar na cara dos elementos e também eles não nos ver, são tratados como demônios reinando naquele inferno. O controle emocional está na bala crava a cobrir o rosto e somente os olhos de fora para não se solidarizar na grande obra. 

Depois dos demônios humanos dominados sem precisar desperdiçar mais nenhuma bala de borracha, eles querem se agarrar na gente, também puxar a bala crava para baixo, mas querer enfrentar nossas carabinas 12 é suicídio. É bem verdade que nossas fardas, depois de tudo aquilo ficam fétidas, e isso aborrece demais ver a farda amarelada e os coturnos sujos dos excrementos humanos.  

Nunca vi ninguém morrer numa rebelião aqui, agora todo mundo sabe que aquele lugar é por demais perigoso, quase cotidianamente morre um custodiado. O 04 vomitou-se todo com a ingestão do gás lacrimogêneo nas narinas e o que dizer daqueles santos humanais que residem ali. No final, tudo correu como o sistema queria, eles tiveram preservados seus cargos comissionados, seus DAS e DAI e a paz voltou a reinar por uns dias, naquele inferno até surgir outro foco.

AGUARDE O ÚLTIMO CONTO DA SÉRIE OPERAÇÕES ESPECIAIS.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


CONTO II

Cantilena melancólica


Depois de anos nas ruas da capital piauiense, sabe-se que não se pode trabalhar sem a ajuda dos companheiros, em especial, alguém atento no serviço e isto pode salvar sua vida. Naquela triste cantilena noturna, esse fato estava para ser comprovado. 

Descia dos céus da capital Teresina numa noite fria do mês de janeiro, gota por gota de chuva.  E as gotas eram assim, gotas de encher a paciência. Deixa que se estivesse deitado numa rede era como pingo por pingo a cair dentro de uma bacia. É certo que causa uma raiva danada, uma impaciência. 

Todos os dias na ronda pelas avenidas da cidade verde é que como policiais nos deparamos constantemente desde as pequenas ás grandes mazelas sociais que degeneram de toda a sorte, a vida de pessoas que lutam para ganhar o pão de cada dia.  Desde a uma simples briga de casal até uma reintegração de posse daqueles terrenos especulados pelo setor imobiliário teresinense. Nessas ocorrências é que vemos a arrogância dos grandes latifundiários urbanos e o ódio do povo contra a polícia.

Era janeiro de 2005, as gotas que caiam do suspenso firmamento, mais pareciam lágrimas triste de uma cantilena melancólica. O rádio da viatura a copiar todas as ocorrências, ou melhor, nenhuma ocorrência em especial. O Troca Troca com alguns homens fumando, outros precavidos dos pingos da chuva e alguns homossexuais que vinham da praça da Cepisa. 

Seria o segundo serviço, depois do tão massacrante curso de Patrulhamento de Alto Risco e ações Táticas. Enquanto, muitos no natal e ano novo revigoravam-se no seio familiar, os homens do camuflado ralavam nas instruções militares de incursões noturnas, táticas e estratégias de guerra e muito Charles Michael nas corridinhas mixurucas. 

Fazer parte das operações especiais é o sonho de muitos, porém poucos têm coragem de entregar suas almas e corpos para o sacrifício. Depois de vestir o manto camuflado, aí sim tem suas regalias, uma vida entregue totalmente a briosa. Primeiro somos um corpo só e cada companheiro, um irmão para toda eternidade.

Depois de um ralado curso, ministrados pelos homens de preto, os faca na caveira, e de exaustivas e longas marchas a pé por estradas de barro, pela BR 343 e matos da região, de fuzis nas mãos, além das malditas instruções pela madrugada adentro, o prêmio de todo o esforço, compensava-se nos malfadados bancos rasgado das péssimas viaturas, dos poucos coletes amarelados de suor, dos contados cartuchos que o governo destina aos Batalhões de polícia.  

Com a chuva, depois de cair aos prantos durante o começo da noite, a viatura com o aquecedor quebrado, o frio da noite arrepiava os pelos do braço e o porta malas da NERO 08, o território perfeito das muriçocas. O frio da madrugada a entrar pela janela da viatura era como a sensação de uma lâmina cortante.

Distanciamos do centro da cidade, depois de rodearmos pela praça da bandeira. Tudo quieto, na noite silenciosa de uma segunda-feira, até o Copom sem sinal de vida no rádio, tudo calado, nada de ocorrências, exceto a da favela Pantanal e o tiroteio com dois dos maiores traficantes da zona Norte e só a chiadeira do rádio comunicador. 

O barulho dos pneus a deslizar o asfalto morno da avenida Maranhão e de vez enquanto, a passar por uma poça de lama, dos muitos buracos da avenida. A NERO 08 entrava taciturna e sorrateiramente nas vielas de uma favela perto do centro administrativo, o coração do governo estadual. 

O pessoal da PM convencional dificilmente entraria sozinhos na favela, sem levar chumbo dos traficantes da área. O fuzil, a carabina e no coldre uma .40 Imbel, fieis companheiros e ardilosos cartões de visita dos homens do camuflado a marginalidade. O primeiro que afrontasse o Estado personificado, ouviria a espoleta rachar, poderia ser mandado para baixo, para o vale de Hades e ser companheiro eterno de Morfeu.

Nas horas mortas da noite, um grupo de vagabundos reimosos para a sociedade, entre eles, duas mulheres, umas prostitutas de beira de esquina, daquelas que trazem um menu de doenças venéreas na testa, a fazer seus baseados, de cujas fumaças ao longe pareciam mais caeira da velha Maria Luzia no mocambo. 

Via-se de longe, toda a ação. Deixando a viatura com o 02, a incursão seria no ponta a ponta até os infelizes. Uns dos três infelizes levantou-se surpreso, intimidado com a ameaça dos fuzis na face. 

- Somos bandidos não, senhor! aqui só tem cidadão!

Acredito que se fosse noutro horário haveria resistência ao cumprimento do artigo 240 do CPP. 

- Somos cidadãos, senhor! Dizia um mais exaltado e resistente. 

Este ainda argumentou que era estudante de Direito e filho de juiz de Direito na capital, mas para os homens do camuflado, os adereços dele ter nascido numa familiar de alta sociedade não interessavam frente ao interesse prevalecente do coletivo, da sociedade. Poderia ser filho do cão, aquela hora, naquele lugar. 

Era o mais alto, meio bombado do tipo que as academias prometem milagres em poucos meses, daqueles playboys da zona Leste, filho de burgueses empresários opressores do povo e lutador de jiu jitsu da capital, que pensa que pelo tamanho pode afrontar os representantes do Estado. 

Ele tentou oferecer uma resistência ao ser abordado, mas não foi preciso ser mais enérgico com ele, entendeu o que a Força Pública pedia, ou melhor, mandava. Com certeza não queria ser tatuado no meio do lombo, acima das vértebras lombares, o nome PM escrito na tonfa. 

Os outros devidamente disciplinados, já sabiam o que deviam fazer, encostavam-se de frente á parede e mãos estendidas. Um chegou a levantar-se devagar do chão, talvez receando com dúvidas. O cérebro pareciam não comandar o resto do corpo, de tanta maconha no bulbo. Enquanto, efetuava-se a revista, uma das prostitutas soltava uma cantada ao 01, depois que a pfem terminou o procedimento com ela.  

Aquilo pareceu mexer com o narcisismo do homem, pois o mesmo vinha de uma separação e o processo corria na justiça, mas aquilo se tinha todo dia, devia ser por causa da farda e era. O 01 manteve a compostura e despertou no momento da canção da sereia.

Quando numa das vielas escuras da favela, um estampido seco de tiro ecoou no silêncio da noite e não foi de nossos fuzis ou pistolas. E sim de um disparo efetuado por um elemento embriagado que vinha da outra ruazinha, naquela ocasião parecia procurar uma atitude de nossos armamentos, mas não foi preciso, se bem que as pistolas gostariam de vomitar munição. 

Só se viu foi o 03 preparado e antecipando-se, ao fato e a fazer o elemento deitar no chão, de preferência de cabeça defronte ao chão molhado. É nessa hora que precisamos de um bom companheiro de serviço. Nem se ouviu mais o descontentamento dos vagabundos por serem importunados pelo Estado, seus semblantes, esfriou. 

Não tem limites para a malandragem que se faz refém do próprio vício da droga, uma vez que experimentou o entorpecente, vira refém. Encontrado o revolver com o elemento, os outros nada de droga, exceto o que consumiram, pois já tinham consumido tudo, a reunião foi desfeita e para manter a ordem pública, cada um dos viciados dar nas canelas, botar o esqueleto para correr destino. 

A ronda tranquila acabava de ganhar contornos de uma adrenalina que ainda durariam horas. O destino da NERO 08, a central de flagrante na vila Maria, zona Leste. A hora de cada um é a hora de cada um. O vagabundo dentro do camburão estrebuchando e embriagado, ás brigas com as muriçocas. 

Que diferença fazia para ele? Ele sabia que bastava contratar um desses porta de cadeia e no outro dia estaria de voltar a tocar o terror nas ruas da capital. Quando o camburão da NERO 08 abriu-se, o agente de plantão deu uma sacudida, mas sabe aquela velha sacudida que de uma vez só faz o sangue correr pelo corpo, não era tarefa nossa assistir aquilo, mas o pessoal da civil estavam no sossego, aquilo foi mais como uma punição extra oficial contra o elemento, de uma vez só o álcool no corpo do homem dava lugar a lucidez. 

O comandante fez todo o procedimento e a NERO 08 voltaria a garantir a paz pública do cidadão. Todo mundo sabe que a PM é o braço forte do Estado, é uma espécie de instrumento de limpeza da sociedade. O capitão, o 01 enxergava em minutos alguém com fundadas suspeitas, só pelo andar do elemento que sempre caminha a abanar a bunda. 

Nas ruas da zona Leste é bem mais diferente do que nas outras ruas e partes de Teresina. Edifícios e mansões ostentam o padrão de vida daquela gente. O olhar do oficial ao ver um elemento que fica rodeando como um espírito perdido por perto de uma churrascaria ou ponto de diversão feito alma penada, num eterno vai e revai, vai e vem, tem alguma coisa de errado. 

Muitos ignoram o som da viatura, das luzes do giroflex, acham que o silêncio da viatura espantam os infratores da lei, ledo engano, o serviço operacional da PM é prevenir que o crime não aconteça, ostensividade e é por isso que nossa viatura são caracterizadas e andamos fardados.

No caminho da NERO 08, depois de um silêncio importante do Copom, só que nesta feita perto de um terreno cheio de matos, um elemento com o fruto de um assalto, ele tentava se esconder. É certa, a zona tem o maior número de assaltos e para sonhar com uma promoção, o comandante do Batalhão da área tem uma grande oportunidade de chegar ao comando geral se desenvolver um ótimo trabalho. 

Talvez, é por isso que é uma das zonas mais policiada de Teresina e uma das zonas mais privilegiada da grande capital Teresina. Zona nobre como chamam alguns, que de nobre não tem nada, exceto o grande conglomerado de edifício em torno dos bairros como Fátima, Jockey, Horto Florestal e Ininga circundados por um bolsão de miséria, favelas e caos social. Para uns são, os dono do mundo e assim arrotam suas arrogâncias e prepotências.

Quando a viatura empreendeu velocidade na avenida Kennedy vindo da vila Maria e dobrou pela Dom Severino, o Copom repassou a ocorrência do assalto. A língua do comandante da viatura sendo mordida de lado representava bem o que poderia ser. O pé no coturno inquieto se via e se ouvia o barulho dos estalos dos dedos, naquele inquieto inconformismo. 

No pensamento dele, o que podia se esperar de um elemento com uma arma nas mãos. Nossos corações se aceleram, por mais controle emocional que somos treinados, mas somos humanos com sensações e medos, um filme então se passa na mente. O homem de baixa estatura, branco, calção vermelho e camisa do Vasco da gama que dentro do mato podia ser rasgado pelas unhas de gato. 

Assim que avistou a viatura, embrenhou-se no mato. A equipe desembarcou e  depois das instruções, todos calado e despachado, saímos na procura. A busca foi pouca e o homem entregou-se, porém escondeu a arma no mato. Sempre digo, esses elementos de ponta de rua, pensa que os homens do camuflado são bestas e por outro lado acham que somos os convencionais de batalhão de área, ledo engano, bastou uns conselhos de ensino para ele entregar o produto do roubo e a arma, um três oitão todo enferrujado e com três cartuchos, inclusive um deflagrado. 

O elemento deu um trabalho danado, porém da salve Rainha ao ato de contrição, ele mais pareciam um sacerdote de tão bom que ficou. É nessas horas que o cabra valente sem o três oitão nas mãos fica frouxo. E olhe que quando a NERO 08 entra numa favela ou num bairro qualquer, só pelo camuflado da viatura muito cabra corre de longe. O infeliz dizia que tinha mulher e filho, gemia como um coitado. 

O que é que se vai fazer? Necessidade não é motivo para roubar ninguém, e olhe que ele dizia que tinha parente das costas quente, das costa largas.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Este CONTO é uma obra de ficção. Os personagens, diálogos e lugares foram criados a partir da imaginação do autor e não são baseados em fatos reais. Qualquer semelhança com acontecimentos ou pessoas, vivas ou mortas, é TÃO SOMENTE uma mera coincidência.

CONTO I

 NOITE DE TERROR

O serviço entrava pela meia-noite. O deleite da sociedade é um sono dos justos ao saber que a PM garante constitucionalmente essa tranquilidade. A noite negra como o breu do asfalto. Os céus suspensos com muitas nuvens cinzentas que cobriam toda a capital. Cães ladravam e pelo espelho da viatura, só o reflexo da carabina .40, o cartão de visita aos marginais. 

O vento vindo do Parnaíba gritava e trazia um som arrepiante, um som, talvez, de morte, de desespero. Chovia o suficiente para encher os muitos buracos daquelas vielas ainda sem a pavimentação dos paralelepípedos. A lama tão pegajosa pelas ruas pequenas, ruas apertadas que fazia os pneus da viatura deslizar e por entre as casinhas do bairro Inferninho, um gritou agudamente ecoou atrás da VTR 08. 

É que naquelas horas mortas da madrugada saia de uma das casas, sob as luzes incandescentes vinda dos portes emaranhados de gambiarras, uma criança de mais ou menos sete anos, a esperar ajuda dos homens da lei.Quando a VTR 08 estacionou. Os passos eram lentos por uma das vielas escuras do bairro, descíamos no ponta a ponta, carabinas e fuzil fatiando de um lado a outro. 

O fogo das lanternas testemunhava o que a pequena criança não queria acreditar e nem nós. Deitados ao lado de uma cama, perto de uma parede de taipa, um homem de meia idade ao lado de uma mulher, ambos mortos. O lençol manchado de sangue escarlate e perfurações de projeteis originados por uma pistola 380 por todo o corpo. O medo nos olhos da criança de lágrimas não contidas, ali refletia sem igual medida, a dor da perca de dois entes queridos. 

E ainda assim a criança, chamavam por eles insistentemente. Sem sinais vitais, só restava isolar o local e chamar a perícia e o IML. O autor ou autores daquele delito eram os traficantes da zona Norte.O garoto não queria sair dali, queria ficar por perto, ali era o melhor canto do mundo. Uma casa simples, humilde, de paredes de taipa, mas com o conforto de maior valia, o carinho dos pais que não estavam mais nesse mundo.  

A zona Norte de Teresina é uma zona de guerra e lotada de traficante e bocas de fumo por todos os bairros. Os rivais do tráfico não perdoam seus concorrentes e naquela noite chuvosa fizeram mais duas de suas vítimas. A lista de bocas de fumo na zona Norte parece interminável, elas vão do Inferninho á Vila São Francisco. Um grupo de traficantes chamados Reis do Pó, por volta das sete horas da noite tinham feito cantar espoleta para a viatura do 7 DP. 

O véu entre o bem e o mal é o mundo que existe entre os homens da lei e os infratores. Mundos este que se retorce no caos. Naquela noite de janeiro de 2005, a lacuna existente entre estes dois mundos seria conhecida.Quem os civis policiais chamariam para o apoio? Exatamente! Os homens do camuflado. O grupo de Natureza Especial das Rondas Ostensivas, a NERO, os homens do camuflado, os únicos que podia por fogo contra a bandidagem na capital Teresina e no resto do Estado.   

Tudo o que os civis policiais queriam naquele momento era o apoio do grupo especial, a NERO. Nossa gente é uma das mais especializada em patrulhamento de alto risco e ações táticas. Um porto seguro para os PM convencionais, quando estes e os civis não resolvem suas ocorrências. Para as mais complexas como lidar com assaltantes de alta periculosidade, roubos a banco, rebeliões em presídios do Estado e etc., eles chamam a NERO, os homens do camuflado resolvem a parada. 

Quando o civil policial Romeu encontrou com o também investigador Zé de Lauro, onde estavam em uma diligencia a mando do delegado Florindo, Romeu sabia que as boas probabilidades de que sua vida e do companheiro – tal como era, já era mais vulnerável e estava por terminar. Trocavam tiros com traficantes do Pantanal, dois dos mais fortes da linha de frente dos Reis do Pó a quem fizera as duas vítimas do Inferninho, tanto que expôs as pistolas e os revolveres dos civis policiais, inútil. 

Um pedido de socorro grunhiu pelas ondas do rádio de comunicação da viatura. O controle de operações civil policial entrou em contato com o COPOM a passar a ocorrência o que foi logo, copiado pela NERO 08. Os companheiros civis policiais estavam esquecidos naquele perigo mortal. Alguns dos seus companheiros riam, outros se olhavam com horror. 

De imediato, a NERO 08 arrastou-se nas sombras urbanas e fez os pneus deslizarem mais rápidos pelo asfalto – os culpados, e seus aliados, iriam pagar tamanho afronta ao Estado e a sociedade. Então, Capitão Aurélio, o comandante tinha nos últimos dias monitorado juntamente com os P2, toda a movimentação e nós estávamos na cola dos criminosos.

Já dentro da favela Pantanal – deslizando a passos lentos na escuridão e como um prêmio em mãos, eles vinham de pistolas nas mãos, os bandidos Rui tirano e Alex sete léguas que ao deparar-se com a VTR sacaram de suas armas e ao deflagrarem seus cartuchos contra os policiais da NERO 08, o efeito do Estado sobre o individuo em prol da sociedade, se fizera. 

Na troca de tiros, caiu de joelhos Rui tirano. E depois de se retorcer, cativo e assustado Alex sete légua acovardou-se, baleado. Rui tirano de cabelo castanho avermelhado caído ao chão, baleado nas pernas e perto dos ombros, também arquejando o comparsa, Alex sete léguas, um negro de olhos chocolate escuro, com o olhar suplicante encravado no rosto fino. 

Seus fôlegos sopravam como o último vapor, e ofegava, seja pelo frio ou pelo terror da morte que eles tinham ideia. Enfim, deu tempo o SAMU chegar e levá-los para o HGV, pois se demorasse mais dez minutos ao atendimento, certamente os dois partiriam para o vale de Hades e não ocupariam uma leito no hospital destinado a um cidadão.

— Estão com vidas. Tiveram sorte de não serem atingidos numa artéria. — sussurrou um dos paramédicos.

Todos se direcionavam para o HGV, depois á central de flagrantes para prestar os depoimentos. Os civis policiais iam juntos. Tinha que ser feito o procedimento ou depois o fumo sobrava para os pm´s.

AGUARDE NOVO CONTO...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


ROMANCE TERRA DE MARATHAOAN.


CAPÍTULO 10

Conversando a patroa dona Mara Rúbia, Maria da Conceição emendava:

-Barras é que é o lugar, disse ela. É lá que quero ir morar com meus filhos.

Não conhecia muito a cidade; mas podia mais ou menos saber o que as circunstâncias na zona urbana acarretariam nas vidas deles, uma grande mudança. Tem serviço dado pela emergência para fazer a barragem da Boa Vista. Mais ela redobrou a atenção no como ganhar o pão de cada dia, lá na cidade, o que iria fazer para trabalhar. Antes de viajar, continuou a mulher, um movimento de espanto seguiu-se a um movimento de ansiedade.

-Como seria em Barras?

Lembrou-se que quando mais moça fora namorada de um rapaz que morava por lá, e por um momento lisonjeou-se com a idéia de que o velho amor se houvesse se lembrado dela, quando passou por aquele fim de mundo vendendo bugigangas. Contava piamente com a ajuda do irmão que morava lá. Ela uma mulher dado ao gênio de sonhadora, imaginava na cidade de Barras, um legítimo oásis ou fonte de emprego e prosperidade para a família, enfim a “Terra dos Governadores” seria o lugar que realizaria os sonhos quando partisse do decadente interior do município.

Na porta de entrada do rosto da mulher, um par belo de dois olhos escuros, um cabelo encaracolado e negro e muita força de vontade de vencer. Desde que viesse do interior para a cidade, Maria da Conceição, uma sonhadora em questão teve que ser vaporosa e ter um ideal como meio de realização de seus sonhos e sobrevivência da família de três filhos e ainda suportar o abandono do marido. 

Ela via o contraste de como difícil conseguir o alimento e como que lutava pelo trabalho duro nos babaçuais no dia a dia. O chá de erva cidreira ás vezes costumeiramente o café e o leite da família e servia a alimentação adicionando massa de goma feita os beijus, doados pelos vizinhos para acudir às urgências do estômago dos dois filhos maiores.

Ás vezes ela tinha vontade de ir rapidamente para a cidade de Barras e isso se percebia pela fala angustiada nos lábios trêmulos de murmúrio como harpa tocada ao vento; o seu amor pela família, pela vida transformava-se na angústia e desespero da falta de dinheiro e a miséria companheira constante como um suspiro da falta de condições sociais. 

O marido viajara pra bandas do Maranhão e após seis anos sem dar notícias, retornou numa correspondência o fim do casamento, o desfeito terminou que Maria da Conceição abandonada por ele não tinha mais esperanças da união. 

A figura da pobreza e os sonhos na vida da mulher não são os temas principais que contarei da heroína desse romance e sim o conveniente sonho da oportunidade de trabalho na cidade de Barras e a ação dos políticos da época em períodos de eleições municipais.