CARTA ABERTA
Depois de anos na fomentação cultural da região Norte
do Piauí, eis que a ACADEMIA DE LETRAS
DO VALE DO LONGÁ acaba com a sua habilidade miraculosa de operar cultura literária.
A ALVAL virou casa de salvação, que
mais importa são as funestas e os destinos que não arrebatem à nossa gratidão e
à nossa felicidade como cultor da arte literária.
Tínhamos cabido em sorte recolher os derradeiros benefícios da
Casa de Mathias Olímpio; e mal se sabe, na efusão do contentamento, que a
ironia da miséria humana se aprestava a trocar-nos a sinistra ameaça de um luto
dessa academia de letras que na realidade imprevista ainda deva existir, mas precisamos de outra que
anseie pelos objetivos a que se dispõe uma verdadeira Academia de Letras.
Ninguém assumiu as circunstâncias mais inopinadas com relação a
esta Academia. Não foi tão-somente sobre os que a amavam que caiu como o estalar
de uma catástrofe a surpresa tenebrosa da integração dos últimos membros. Importantes
membros se acharam atordoados numa estupefação, a que os próprios inimigos da
literatura não evadiram.
Fez-se entre nós, por toda a parte, grande tristeza, profunda escuridade
nas ultimas composições de cadeiras e indicações de membros. Os que se dirigiam
à referida casa pleiteando uma vaga é ferido pelo raio, pela impressão de que o
desabar da incoerência subtraíra à produção intelectual o que será
irrecuperável, irremediável.
Cada candidato sente-se com uma gente sem segurança, diz- me que
aquela eleição é nada mais que reunião de eminentes colegas do mestre. Estas
palavras podem inscrever-me na loisa da sepultura intelectual daquela casa, mas
é preciso dizê-las. Não haveria outras, que definissem tão bem a imensidade da
nossa perda e a comoção geral do saber literário.
Enquanto o enleio dos imortais se debate no estranho mistério do caso,
o coração dos amigos resiste à evidência trágica da desgraça. Dir-se-ia que a
eleição não lhe havia nas faces o vestígio do sofrimento. Uma eleição como aquela
onde a fisionomia é ser divisível nas sombras do sobressalto.
Portanto, mas bem depressa, como os raios vespertinos da luz solar
barrense, me despeço melancolicamente das últimas ilusões, e á fronte orvalhada
das lágrimas descem a noite irreparável, apenas como longes estrelados da
remota esperança celeste. O meu espírito arca com a desconfiança imperturbável
contra as evasivas do ignoto e nos recessos mais obscuros da ALVAL.
SALVE ALVAMA – ACADEMIA DE
LETRAS DO VALE DO MARATAOÃ

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