terça-feira, 24 de julho de 2012




CARTA ABERTA

Depois de anos na fomentação cultural da região Norte do Piauí, eis que a ACADEMIA DE LETRAS DO VALE DO LONGÁ acaba com a sua habilidade miraculosa de operar cultura literária. A ALVAL virou casa de salvação, que mais importa são as funestas e os destinos que não arrebatem à nossa gratidão e à nossa felicidade como cultor da arte literária.

Tínhamos cabido em sorte recolher os derradeiros benefícios da Casa de Mathias Olímpio; e mal se sabe, na efusão do contentamento, que a ironia da miséria humana se aprestava a trocar-nos a sinistra ameaça de um luto dessa academia de letras que na realidade imprevista ainda deva existir, mas precisamos de outra que anseie pelos objetivos a que se dispõe uma verdadeira Academia de Letras.

Ninguém assumiu as circunstâncias mais inopinadas com relação a esta Academia. Não foi tão-somente sobre os que a amavam que caiu como o estalar de uma catástrofe a surpresa tenebrosa da integração dos últimos membros. Importantes membros se acharam atordoados numa estupefação, a que os próprios inimigos da literatura não evadiram.

Fez-se entre nós, por toda a parte, grande tristeza, profunda escuridade nas ultimas composições de cadeiras e indicações de membros. Os que se dirigiam à referida casa pleiteando uma vaga é ferido pelo raio, pela impressão de que o desabar da incoerência subtraíra à produção intelectual o que será irrecuperável, irremediável.

Cada candidato sente-se com uma gente sem segurança, diz- me que aquela eleição é nada mais que reunião de eminentes colegas do mestre. Estas palavras podem inscrever-me na loisa da sepultura intelectual daquela casa, mas é preciso dizê-las. Não haveria outras, que definissem tão bem a imensidade da nossa perda e a comoção geral do saber literário.

Enquanto o enleio dos imortais se debate no estranho mistério do caso, o coração dos amigos resiste à evidência trágica da desgraça. Dir-se-ia que a eleição não lhe havia nas faces o vestígio do sofrimento. Uma eleição como aquela onde a fisionomia é ser divisível nas sombras do sobressalto.

Portanto, mas bem depressa, como os raios vespertinos da luz solar barrense, me despeço melancolicamente das últimas ilusões, e á fronte orvalhada das lágrimas descem a noite irreparável, apenas como longes estrelados da remota esperança celeste. O meu espírito arca com a desconfiança imperturbável contra as evasivas do ignoto e nos recessos mais obscuros da ALVAL.

SALVE ALVAMA – ACADEMIA DE LETRAS DO VALE DO MARATAOÃ

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