SONHOS DE LEÔNIDAS
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Era alta
noite e ela esperava-o. Viu passar o coletivo pela rua Heráclito de Sousa.
Quando passou, ela correu para encontrá-lo. Bateu na porta de dona Marieta e
entrou assustada. Uma voz, chamou-a. Entrou Luiza Maria com os pés nus, o
vestido solto, o cabelo despenteado e os olhos ardentes. Tomou-o pela mão e o
convidou a entrar. Os dois entraram na casa.
Era escura a
escada que eles subiram e tão quentes foram os beijos molhados nos lábios dela.
Os dois deitados na cama. A mulher sacudia os longos cabelos negros e ria-se
com o amante. Entrou na sala, o marido Zé de Lauro. Ele voltou para buscar um
documento do carro que tinha esquecido. Tudo escuro. O homem entrou na casa,
tateou pelo documento e escutou uns gemidos vindos do quarto. Passou a mão numa
faca.
Sentiu o
golpe da traição e ao adentrar no quarto desferiu uma punhalada primeiro no rapaz. A
mulher não deu tempo de avisar ao amante para fugir e também sentiu a umidade
escorrer no meio dos seios. Sentiu o corpo esfriar como neve molhada a um
líquido espesso e meio coagulado. Era sangue. Depois de matar o rapaz e a
mulher, Zé de Lauro, degolou-se. Sobre a cama o assassino e suicida deitado de
bruços.
- Foi uma
cena daquelas! Dizia dona Catarina.
- O marido
era um viajar sem fim. Comentava outra mulher.
Não foram
poucas as vezes que Luiza Maria, vestia-se de homem para encontrar-se, com os
homens. O rapaz era formoso. A mulher era demais para Zé de Lauro. Quase todo
mundo na rua conhecia a orgia do seu belo corpo. Quando o coletivo passava meio
dia, o corpo dela ardia ao amor do rapaz ao ver chegá-lo da Universidade.
Nas noites,
Luiza Maria sim se revelava uma das mais belas mulheres do bairro. Os lábios
eram cheio de vícios e lançava-se, como um anjo mau para o deleite dos homens. Não
havia homens que não queria seduzi-la, perder-se pelo amor da
mulher e pelas orgias de um coração em delírio. Era
prazer carnal de certo, o que sentiam por ela. Mas, tudo terminou com uma
fatalidade infernal.
Via-se
morrer um pobre inocente que nem um segundo a amou. Foi uma terrível noite.
Noite de blasfêmia, de último adeus, de maldição. Ele tinha sede da vida. Era
um belo rapaz. Pelas faces morenas, caiam-lhe os cabelos negros. Criatura
pálida, morto parecia a um anjo adormecido sob a cama. Quando pelas noites de luar, enquanto o marido
não repousava a face nas mãos dela, estava ele sob a vigília e a apreciar a lua.
Poderia
dizer que durante o dia, Luiza Maria era uma santa. Era a mulher do senhor
Zé de Lauro. Zé de Lauro era conhecido no bairro Monte Castelo, por ser um homem
brutal e valente. O contrário, a esposa Luiza
Maria era sedutora, doce, carinhosa e prestativa com as pessoas da comunidade. Muito
religiosa que não perdia uma missa aos domingos.
Também uma mulher
de gozos malditos na cama, de muitos amores, uma vagabunda aos vinte e um anos.
Tinha uma vida de miséria e loucura ao lado do esposo bem mais velho. O corpo lívido e nu,
as entranhas em fogo e a ultima agonia do amor que queimava em
convulsões na voluptuosidade dos lábios. Era de um gozo febril que acabou no delírio de morte.

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