quarta-feira, 6 de março de 2013


SONHOS DE LEÔNIDAS


4

Era alta noite e ela esperava-o. Viu passar o coletivo pela rua Heráclito de Sousa. Quando passou, ela correu para encontrá-lo. Bateu na porta de dona Marieta e entrou assustada. Uma voz, chamou-a. Entrou Luiza Maria com os pés nus, o vestido solto, o cabelo despenteado e os olhos ardentes. Tomou-o pela mão e o convidou a entrar. Os dois entraram na casa.

Era escura a escada que eles subiram e tão quentes foram os beijos molhados nos lábios dela. Os dois deitados na cama. A mulher sacudia os longos cabelos negros e ria-se com o amante. Entrou na sala, o marido Zé de Lauro. Ele voltou para buscar um documento do carro que tinha esquecido. Tudo escuro. O homem entrou na casa, tateou pelo documento e escutou uns gemidos vindos do quarto. Passou a mão numa faca.

Sentiu o golpe da traição e ao adentrar no quarto desferiu uma punhalada primeiro no rapaz. A mulher não deu tempo de avisar ao amante para fugir e também sentiu a umidade escorrer no meio dos seios. Sentiu o corpo esfriar como neve molhada a um líquido espesso e meio coagulado. Era sangue. Depois de matar o rapaz e a mulher, Zé de Lauro, degolou-se. Sobre a cama o assassino e suicida deitado de bruços.

- Foi uma cena daquelas!  Dizia dona Catarina.

- O marido era um viajar sem fim. Comentava outra mulher.

Não foram poucas as vezes que Luiza Maria, vestia-se de homem para encontrar-se, com os homens. O rapaz era formoso. A mulher era demais para Zé de Lauro. Quase todo mundo na rua conhecia a orgia do seu belo corpo. Quando o coletivo passava meio dia, o corpo dela ardia ao amor do rapaz ao ver chegá-lo da Universidade.

Nas noites, Luiza Maria sim se revelava uma das mais belas mulheres do bairro. Os lábios eram cheio de vícios e lançava-se, como um anjo mau para o deleite dos homens. Não havia homens que não queria seduzi-la,  perder-se pelo amor da mulher e pelas orgias de um coração em delírio. Era prazer carnal de certo, o que sentiam por ela. Mas, tudo terminou com uma fatalidade infernal.

Via-se morrer um pobre inocente que nem um segundo a amou. Foi uma terrível noite. Noite de blasfêmia, de último adeus, de maldição. Ele tinha sede da vida. Era um belo rapaz. Pelas faces morenas, caiam-lhe os cabelos negros. Criatura pálida, morto parecia a um anjo adormecido sob a cama.  Quando pelas noites de luar, enquanto o marido não repousava a face nas mãos dela, estava ele sob a vigília e a apreciar a lua.

Poderia dizer que durante o dia, Luiza Maria era uma santa. Era a mulher do senhor Zé de Lauro. Zé de Lauro era conhecido no bairro Monte Castelo, por ser um homem brutal e valente.  O contrário, a esposa Luiza Maria era sedutora, doce, carinhosa e prestativa com as pessoas da comunidade. Muito religiosa que não perdia uma missa aos domingos.

Também uma mulher de gozos malditos na cama, de muitos amores, uma vagabunda aos vinte e um anos. Tinha uma vida de miséria e loucura ao lado do esposo bem mais velho. O corpo lívido e nu, as entranhas em fogo e  a ultima agonia do amor que queimava em convulsões na voluptuosidade dos lábios. Era de um  gozo febril que acabou no delírio de morte. 

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